Sexta-feira, cinco e meia da manhã.
Acordei empolgada para ter mais um tempo de conversa com Deus. Fechei a porta do quarto de visitas, liguei o computador, escolhi uma música no Spotify e fiquei ali, em silêncio, aguardando o Senhor falar comigo.
Diferente do dia anterior, eu não ouvi nada. Um silêncio tomou conta do quarto. Sentia Sua presença palpável, mas não ouvia a Sua voz. Quando estava me levantando da cadeira, escutei bem baixinho o seguinte versículo:
"Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.
O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio."
— Salmos 46:10
Levantei-me, dei uma olhada no quarto: meu marido e meu filho estavam dormindo tranquilos. Fui até a cozinha e decidi fazer pão para o nosso café da manhã. Até pensei em colocar algo para ouvir enquanto fazia o pão, mas, no meu coração, decidi ficar em silêncio.
Após finalizar todas as etapas do pão e, quando ia colocá-lo no forno, decidi acordar meu marido, Carlos, e meu filho, Izac. Foi então que me deparei com uma situação que, só de lembrar, parece que o meu sangue flui com toda a intensidade dentro de mim.
Olhei no carrinho e percebi: meu filho Izac estava sem vida.
Não queria acreditar. Gritei pelo meu marido — quase não consegui emitir som. O chão se abriu sob meus pés, e eu não encontrava um lugar onde me escorar. Tudo desabou. Eu já não me reconhecia mais. Só conseguia ver meu marido tentando reanimá-lo, enquanto ele permanecia em um sono profundo e imóvel.
Peguei minha Bíblia, me ajoelhei e comecei a clamar ao Senhor:
“Pai, Izac tem uma promessa sobre a vida dele! Nós temos uma promessa! Izac é profeta das nações!”
Eu gritava sem parar essas frases.
Meu marido, desesperado, gritou para mim:
"Amor, ligue para o socorro!"
Em frações de segundos, o socorro chegou. Fui para o outro quarto, me ajoelhei e continuei orando ao Senhor — mas o silêncio persistia.
Silêncio e dor se misturaram, e eu já não conseguia enxergar mais nada naquela manhã...
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